Antenas de Marfim

Um crítico no auge do sedentarismo

Arquivo de tag de ‘2017’

Regionalismo alegórico em “Auto da Romaria”, de João Filho

Com Auto da romaria (Mondrongo, 2017), João Filho se consolida como uma das mais consistentes vozes líricas da literatura brasileira contemporânea. No livro, a trajetória pessoal do eu lírico principal, rememorada, cruza-se com o percurso histórico e geográfico da romaria que ocorre anualmente em Bom Jesus da Lapa, cidade natal do autor no interior baiano. Contudo, a própria romaria adquire um significado outro, alegórico, apontando para o caminho da transcendência. […]

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Pisando nos astros, não tão distraído: “PARSONA”, de Adriano Scandolara

Adriano Scandolara, poeta curitibano e tradutor, é autor de um surpreendente livro de estreia, Lira de lixo (Patuá, 2013). Quatro anos depois, vem a público seu segundo volume de poesia, PARSONA (Kotter, 2017). Trata-se de uma obra, digamos assim (com medo de espantar os leitores), “experimental”. Scandolara apropria-se dos 35 sonetos da “Via Láctea” de Olavo Bilac — segunda seção de Poesias —, desmembrando-os e os reconfigurando em novos arranjos, que correspondem aos poemas do livro, dividido em cinco partes.

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Arqueologia da memória: “Natal de Herodes”, de Wladimir Saldanha

Natal de Herodes (Mondrongo, 2017) é o quarto livro de poesia de Wladimir Saldanha. Nele, referências históricas e intertextuais se misturam ao drama pessoal/familiar de um eu lírico marcado pela ausência paterna, o que constitui o eixo em torno do qual se integram rememoração e reminiscência (as duas dimensões da memória). Temos, então, um eu lírico que procura no metafísico, na Comunhão com a figura de Cristo, uma via de redenção para seu dilaceramento interior.

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