Antenas de Marfim

Um crítico no auge do sedentarismo

Canção de desajuste: o corpo e o espaço na poesia de Francielly Baliana

Em Um já que jaz, de Francielly Baliana, assistimos a um eu procurando se construir como identidade em sua tensão com a existência do outro. Tal identidade procura se firmar com base em três elementos: o corpo, o espaço e a linguagem. Neste prefácio, pretendo me fixar apenas nos dois primeiros. Como se sabe, o corpo é a zona de interseção entre o mundo interior e o exterior. Nos poemas […]

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A leitura além da leitura: ensinando Literatura (parte II)

Continuação daqui. A educação literária O ensino de Literatura no Brasil, conforme as diretrizes federais, baseia-se num equívoco fundamental: a inclusão da Literatura na área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, quando, na verdade, ela está mais próxima às Ciências Humanas. Isso evidencia uma abordagem do fenômeno literário que tende à unidimensionalidade, prevalecendo um entendimento instrumental da leitura. A matéria da literatura não é a linguagem verbal — esta é […]

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A leitura além da leitura: ensinando Literatura (parte I)

O texto “O que você sabe sobre a formação de leitores pode estar errado”, escrito por Pedro Almeida para a Publishnews, andou circulando bastante no Facebook. Nele, o autor discute o desafio da formação de leitores no contexto da atual crise do mercado editorial brasileiro, partindo da observação do sucesso da Bienal do Livro deste ano, que teria acertado em investir numa programação mais voltada às preferências de seus frequentadores. […]

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Os paradoxos da poesia concreta

Para a orelha de PARSONA, de Adriano Scandolara (um dos livros de poemas mais instigantes de 2017, ano particularmente bom para a poesia brasileira), escrevi: Nestes tempos em que os procedimentos concretistas integraram-se confortavelmente aos cânones da literatura brasileira, e os epígonos pululam, a poesia experimental tornou-se carne de vaca; ganhou em prestígio o que perdeu de potencial crítico. O verso morreu, pero no mucho; ao menos sobreviveu aos grandes […]

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Regionalismo alegórico em “Auto da Romaria”, de João Filho

Com Auto da romaria (Mondrongo, 2017), João Filho se consolida como uma das mais consistentes vozes líricas da literatura brasileira contemporânea. No livro, a trajetória pessoal do eu lírico principal, rememorada, cruza-se com o percurso histórico e geográfico da romaria que ocorre anualmente em Bom Jesus da Lapa, cidade natal do autor no interior baiano. Contudo, a própria romaria adquire um significado outro, alegórico, apontando para o caminho da transcendência. […]

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Pisando nos astros, não tão distraído: “PARSONA”, de Adriano Scandolara

Adriano Scandolara, poeta curitibano e tradutor, é autor de um surpreendente livro de estreia, Lira de lixo (Patuá, 2013). Quatro anos depois, vem a público seu segundo volume de poesia, PARSONA (Kotter, 2017). Trata-se de uma obra, digamos assim (com medo de espantar os leitores), “experimental”. Scandolara apropria-se dos 35 sonetos da “Via Láctea” de Olavo Bilac — segunda seção de Poesias —, desmembrando-os e os reconfigurando em novos arranjos, que correspondem aos poemas do livro, dividido em cinco partes.

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O vício do trocadilho: a paronomásia na poesia brasileira contemporânea

A linguagem poética não é apenas um modo de expressão, é também um instrumento de prospecção da realidade. Para além de sua função comunicativa, a linguagem é a instância mediadora entre a imaginação, sensações, intuições, emoções etc. e o pensamento comunicável. Ao alterarmos o uso que fazemos da linguagem, mudamos a maneira como apreendemos e damos forma mental à nossa atividade interior e ao mundo exterior.

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